4 de janeiro de 2013

Existencialismo Abstrato II


Sou uma escrava do pensar
de um epitáfio indecifrável.
Sou a melancolia dos túmulos senis
e a poesia da lápide esquecida,
sou a flor do defunto
que no corpo desfalecido repousa.
Sou a profecia do apocalipse
a chuva de sangue
e também o soar das cornetas.
Sou o acento sem letra;
a direita e a esquerda;
e o rio sem nascente
que deságua nos olhos que lacrimejam
as dores que nele velejam.
Sou as várias coisas ao mesmo tempo
e ao mesmo tempo sou o nada.
Sou o vale das incertezas
que rastejam os homens em pranto.
Sou os sonhos, e os escombros
o pesadelo e o tormento
sou a peste sedenta
o canto solitário do agouro insano.
Sou o vinho vencido do aborto de um fruto,
a doença e a cura;
Sou espaço entre o certo e o errado
o sim e o não;
o segundo entre o prédio e o chão.
Entre a arma e a cabeça; a faca e o pulso.
Presas nas presas do silêncio avulso.


Odinista

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