11 de agosto de 2013

Saudades

Sinto saudades 
de olhar no espelho
e ter algo para olhar.
Algo além de olhos negros
e opacos.
Sinto saudades
de olhar para fora
e reconhecer o calor do sol.
Algo além da luz falsa.
Sinto saudades
de olhar no papel
e saber o que escrever.
Algo além de lamentações
intermináveis.
Mas não sinto saudades
de quem eu era,
ainda que não tenha rugas
que me denunciem.
Nem idade para dizer
o que foi certo.
Mas o tempo é...,
já foi. E ainda virá.
Não pediria pouca idade
se com ela tivesse que lidar;
perder o pouco que consegui;
a única coisa que ainda
da vida posso levar.
Não sinto saudades
dos que se foram,
pois nunca morrerão
nas memórias manchadas.
Além de pena por aqueles
que ainda virão.
A saudade
é inconsciente e irônica,
as vezes a sentimos
sem perceber,
as vezes iludimos
querendo demais.


Odinista

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