4 de novembro de 2013

Nudez



Poros escancarados
suam poesias.
As vestes já não mais
cobrem minha sensatez
não censuram-me ideias
não protegem-me do frio.
Pois não veste-se por dentro
do frio de dentro
que venta
que cava e enterra.
Dores vomitam poemas.
Os pés já não pisam na terra
a terra é quem nos pisa.
A carne e o esqueleto se encarregam
de carregar a alma sofrida
que mais poderia levar
uma manta fratricida?
Da carne os vermes se encarregam
os ossos o diabo rói
que será da alma
que aos poucos o mundo destrói?
Se recolhem, aqueles oprimidos febris
tecendo vestes sempre iguais
envergonhados do eterno despir.
A eles são dados,
cordas e forcas
para que bordem internos
seus próprios pecados. 

Odinista

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