27 de novembro de 2013

Memórias de alguém com asas

Disseram-me ao nascer:
Chore!
Quando chorei, deram-me alimento.

Mandaram-me ao andar:
Corre!
Quando corri tropecei.

Puxaram-me ao cair:
Levante-se!
Quando levantei, quis voar.

Prenderam-me ao descobrir:
Não vá!
Quando esperei, era tarde

Remendaram-me ao perceber:
E agora?
Quando fui, nunca mais voltei.

Odinista

2 comentários:

  1. "O homem nasce livre, a sociedade o corrompe" - Rousseau. Senti um pouco dessa frase ao ler seu poema perfeito. De certa forma as pessoas desde nosso nascimento nos impedem de ser quem realmente somos e uma vez, tarde, conseguimos isso, nunca mais voltamos a ser o que éramos. Você deixou em branco a reação delas quando você diz : nunca mais voltei. E foi isso que mais gostei nesse poema. A gente não sabe se choraram ou se sorriram. Parabéns, adorei.

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  2. Exatamente! é isso que tento passar, principalmente uma situação que vivo, mas quando eu for, nunca mais vou voltar atrás.

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