13 de janeiro de 2014

Gato preto

Quem dera ser eu, um gato preto. Mas daqueles bem negro e arredio, dos pelos eriçados, dos olhos verdes fluorescentes que lampejassem ao anoitecer. 

Que vivesse nas ruas, e do desprezo de cada gente, minha presença doente pudesse livrar. Nos passos meus, caminharia nulo, alguns tímpanos captariam meu terno desapego até mesmo ao chão que sustenta de pé. 
Gato daqueles de arrepiar a espinha se com caminhos errados passar.

Quem dera ser eu, um gato preto. Mas daqueles bem azarados, e que também causasse azar. Suas cóleras escarnecidas, refletidos no almejo proscrito eminente da carne.


De gato pensante cheio de pesar. Silencioso, não dorme. Por medo de que sua existência pudesse se dissolver; no negro que é teu pelo, junto ao negro que é a noite.


De tão negro não teria sombra, de tão solitário não seria só. 


Enquanto tivesse dois olhos, uma faria companhia para o outro."


Odinista

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Thash box