6 de fevereiro de 2014

Resenha n°2



Precisamos Falar Sobre Kevin (2011) - Há várias formas de ver a mesma situação

Diretora: Lynne Ramsay
Países: Reino Unido, EUA
Gênero: Drama

          Este é um filme bom para uma história incrível, defino como um dos que me frustraram, sinceramente eu esperava uma trama mais hollywoodiana (não estou reclamando), com aquela maldita fórmula de fazer longa-metragens de Hollywood, esse tipo de 'fórmula' me entedia mas hoje devo dizer que eu esperava uma adaptação assim para o Best Seller de Lionel Shriver.
   Desde 2008 eu o esperava ansiosamente Precisamos Falar Sobre o Kevin como um filme sadista com cenas fortes, frias, sanguinolentas e perturbadoras narrando o crescimento de um Serial Killer e como ele conseguiria tais feitos...nada disso. Eu nunca li o livro por motivos de spoiler, na verdade se nunca tivessem me contado o fim penso eu que não me interessaria naquela idade por um livro com nome de discussão familiar. Um outro motivo é porque é um pouquinho caro e sempre que pretendo comprá-lo acabo levando até dois livros pelo mesmo preço.

      O fato é que o livro, diferente do que eu imaginava, não se trata da cabeça do Kevin mas sim da mãe dele e se eu tivesse lido o livro eu saberia disso -tonta-. O filme começa com uma cena estranha de uma multidão banhando-se em vermelho o que presumo ser tomate - tenho algumas teorias do que poderia aludir essa cena mas seria um tanto medonha, com spoiler e talvez um nonsense bem bacana - logo depois mostra a rotina atual de Eva que é constante alvo de vandalismo, reprovações de comportamento em sociedade e humilhação, tudo isso por um único motivo: Kevin.
     Eva, Interpretada por nada menos que Tilda Swinton uma atriz sinistra com esqueletos a mostra, olhos que mais parecem ter um buraco que suga sua alma e que sempre me deu medo, ela convence muito bem no papel da mãe de um assassino. Entre uma cena e outra há flashes de sua vida a alguns anos atrás desde sua experiência da maternidade até o incidente que mudaria não só a vida de seu primeiro filho mas a dela também.

     É bem nítido que ela jamais seria uma boa mãe, a mulher estranha (lê-se atriz estranha) faz cara feia ao ver crianças, não gosta de estar grávida e não tem paciência, esse é um dos pontos de vista que tem o filme porque as vezes o espectador é induzido a estar a favor da mãe, outras vezes contra ela, mas nunca a favor do Kevin. Eu concordo que Eva tenha tentado e muito a converter seu filho a ser socialmente correto, mas devo admitir que nenhum deles é receptivo a ações do outro, o que torna a convivência de ambus insuportável. O pai é uma figura bem secundária, não sei se é pouco mencionado no livro ou que é um pateta mesmo mas o danado consegue o amor dos filhos sem grandes esforços, pode ser que ela também nem goste do marido ou de ter se precipitado ao casar-se com ele e gerar todo esse desinteresse por família. Este também pode ser um dos pontos de vista adotados: o ódio de Kevin apenas para com a mãe.

Ela deve estar relembrando do quanto odeia vocês.


      Mesmo controlando seu desgosto por ser mãe, o Kevezinho não ajudava nem um pouco e logo na infância já se mostrava ser uma criatura *diabólica* incomum e estranha; a maneira como é nos apresentada certas cenas é subentendido que inconscientemente a criança já tem noções socias e da sua condição de 'inocência' para provocar Eva. Quando adolescente (Ezra Miller) parece estar com a personalidade melhor formada e de um mau-caráter estampado na cara sem sal do ator, lembrando que eu não estou a falar mal da escolha dos atores, e sim que eles tem a cara de filme da série "Nunca passará na TV aberta brasileira" não sei bem se seria bom ou ruim ter esse tipo de filme caindo no gosto popular, na verdade tenho algumas opiniões neutras sobre esse assunto, mas de certa forma agradeço a Lynne Ramsay (não, eu nem conheço) por ter feito esse longa assim, e não um cartaz de 'adolescente modelo assassino' igual a porra que fizeram em 'Hannibal: A origem do mal' onde eles destroem a reputação de um dos meus serial killers preferido.

   Tudo acontece de uma forma lenta, quase parando e não, eu não estou sendo irônica. Até o ventilador é lento! As vezes é deprimente. Em suma a diretora tem um apreço por detalhes que passam desapercebidos no convívio com uma pessoa de característica tão peculiar, que no final esses momentos se tornam significantes e indispensáveis na notoriedade do ponto de vista adotado.
   Do meio para o final alguns espectadores talvez odeiem Kevin pelo seu jeito manipulador e minucioso ou pelas maldades que faz com sua irmã mais nova, o fato é que depois de se tornar um criminoso e por mero capricho em vê-la sofrer, ela não é morta, afinal feito isso não só estaria destruindo sua vida como também desafiando-a a viver com a eterna culpa de parir um assassino. Entre os flashes percebe-se a boa condição financeira da família em contradição com a condição atual em que se encontra, essa decadência não é mencionada mas presume-se que tais ações levaram-na a perder a carreira e reputação.


    Bem no finalzinho é subentendido que Kevin se arrepende e entre as eventuais visitas dela os dois se tornam mais próximos, e mesmo não sabendo o porque dos crimes cometidos [no filme] ele não é sentenciado como doente mental. Meu ponto de vista em relação ao filme é neutro, MAS penso que o desfecho trágico poderia ser evitado com uma mãe que não odiasse a princípio o filho. As escolhas uma vez feitas não há mais volta, entretanto se nunca feitas tudo se torna possível, mas isso se trata de outro filme, em uma outra resenha. Enquanto isso apreciem a 'beleza' incomum de uma atuação maravilhosa.
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