25 de março de 2014

Minhas delicadas condolências

Fiquem todos com meus sinceros pêsames
Não choro, me perdoem, mas sofro mudo.
De alguma forma sabíamos a hora de dizer
Pela última vez.
Nos conhecemos como quem se despede para sempre
De alguma forma você sabia, precoce partida
Então você sorriu
Em cada foto, em cada adeus. Você sorriu.
Mais do que lembranças boas
Deixastes também alegria, paz e um exemplo
Exemplo de servir aos outros
Exemplo de deixar o próprio futuro para depois
Se este acaso interrompeu tua brilhante jornada
Terás resplandescente glória eternamente
Mesmo que tenha tido uma passagem breve
Sua merecida coroação deu-se em morte
No tapete vermelho, em sangue veludo na pista
Em que seu cadáver prostrou
Coroa? Não foi preciso.
Mesmo que uns poucos tenham visto sua partida
Vimos sua alma enquanto ainda vivia
Não haverá tragédias ou erros que abalem estes laços.
Hoje os céus estão em luto, chorando sua ida.
Lamento não dizer coisas bonitas.
Por isso me calo.
E somente desejo minhas delicadas condolências.

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Eu queria desculpar sinceramente minha rispidez em ver mortes, desculpar também minha insensibilidade ante ritos funéreos, isso não diminui minha dor em ter amigos a menos. Chorei sim, poucos viram. Não é e nem nunca será de meu feitio debulhar-me em lágrimas em público. Mas de uma coisa eu sei: meu luto dura muito mais que um dia no velório ou no enterro, dura a cada dia que Sua ausência é sentida. Descanse em paz meus amigos, e perdoe meus futuros poemas sobre mortes, cadáveres e vermes.

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